sexta-feira, 12 de maio de 2017

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A NATO

No âmbito da Cimeira das Democracias, promovida pela Universidade Católica no contexto do OpenDay do Instituto de Estudos Políticos, e onde esteve presente um grupo de alunos do 12º ano em representação da escola, tivemos a possibilidade de assistir a uma pequena intervenção do Sr. Embaixador de Portugal junto da NATO, Luís de Almeida Sampaio. Esta intervenção foi tão interessante que não resisti a partilhar convosco o fundamental das suas ideias.

Começou por falar do Tratado de Washington (em 1948) - onde se negociou o Tratado do Atlântico Norte, negociação essa que apenas demorou duas semanas, tal não era a urgência da situação, tendo o Tratado entrado em vigor em Abril de 1949.
Portugal é um dos países fundadores, e apesar de na época não ser uma democracia, foi convidado por razões estratégicas - não podemos esquecer que a NATO surge como uma reação à formação da Cortina de Ferro que marcou o início da Guerra Fria. Esta situação é bem notória no Art. 5.º do Tratado quando se fala da defesa coletiva (na prática quer dizer que quando um dos membros da aliança é atacado todos ficam envolvidos). Curiosamente, no contexto da Guerra Fria EUA/URSS, este artigo nunca foi invocado.
Na sua opinião, a NATO foi fundamental para a segurança e estabilidade necessárias à criação da União Europeia. De facto, no seu entender, sem a NATO não teria sido possível a criação das Comunidades Europeias nem a sua respetiva prosperidade económica. A NATO passou a ser, assim, um local do diálogo transatlântico (Europa/América do Norte).
Com a queda do Muro de Berlim (1989) a NATO acompanha as novas exigências (abertura aos países do Centro e Leste da Europa). A nova NATO interveio nos Balcãs, nos anos 90, e alterou completamente a sua posição após o 11 de Setembro de 2001 - foi nesse contexto que foi invocado o Art. 5.º, o que resultou na operação da NATO contra o terrorismo no Afeganistão - e até hoje nunca mais foi acionado.
Na Cimeira de Gales, em 2014 questionava-se o papel da NATO. Havia a noção de que a única missão da NATO havia sido a missão no Afeganistão. E agora? O que vai fazer a NATO daqui para a frente?
Entretanto, a Rússia voltou com algum protagonismo ao anexar a Crimeia, território da Ucrânia, e o curso das decisões sobre o papel da NATO modifica-se devido às alterações e ocorrências do contexto político.
Neste momento, a NATO tem uma estrutura bem cimentada a Leste, com muitas movimentações e presença militar forte de forças na região, para proteger aqueles que se situam na zona e podem ser mais afetados pela proximidade de Moscovo - Países Bálticos, Polónia... e pela imprevisibilidade das políticas de Putin.
Contudo, nem todos os membros da NATO pensam da mesma forma. Para muitos, a principal ameaça é o terrorismo transnacional devido à instabilidade do Mediterrâneo Oriental/Médio Oriente.

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