sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

PARA REFLETIR A PROPÓSITO DO DIA EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO



O dia 27 de janeiro foi declarado pelas Nações Unidas como o Dia Internacional da Comemoração em memória das vítimas do Holocausto.
O dia 27 de janeiro é a data que, em 1945, ficou marcada pela libertação do maior campo de extermínio nazi de Auschwitz, pelas tropas soviéticas, no fim da II Guerra Mundial.
Esta iniciativa pretende preservar a memória deste trágico acontecimento, sensibilizando a memória das novas gerações para a dimensão e consequências do genocídio, para que estes acontecimentos não se repitam.

 

Quando os nazis vieram buscar os comunistas,
eu fiquei em silêncio;
eu não era comunista.

Quando eles prenderam os sociais-democratas,
eu fiquei em silêncio;
eu não era um social-democrata.

Quando eles vieram buscar os sindicalistas,
eu não disse nada;
eu não era um sindicalista.

Quando eles buscaram os judeus,
eu fiquei em silêncio;
eu não era um judeu.

Quando eles me vieram buscar,
já não havia ninguém que pudesse protestar.
.

Martin Niemöller

 



Adolf Eichmann (1906-1962)
Tenente-coronel das SS e um dos responsáveis pelo genocídio de milhões de judeus, ciganos, homossexuais…
Em fuga desde 1945, foi capturado na Argentina pelos serviços secretos de Israel que o levaram para ser julgado, sendo considerado culpado pelos crimes de que era acusado. Foi condenado à morte


Declaração final de Eichmann, em Jerusalém, durante o seu julgamento (1961)

“Ouvi a pesada condenação pronunciada pelo tribunal e perdi todas as esperanças de encontrar aqui justiça, não posso reconhecer esta condenação. Compreendo muito bem que se exija que os crimes cometidos contra os judeus sejam expiados [...]. Tive a infelicidade de me ver envolvido nestes horrores, o que não foi fruto da minha vontade, não tive a intenção de matar homens. São os próprios dirigentes políticos os únicos responsáveis deste assassinato coletivo [...]. Neste momento ainda sublinho uma vez mais: a minha culpa reside na minha obediência, no meu respeito pela disciplina e nas minhas obrigações militares em tempo de guerra, no meu juramento de fidelidade que prestei quer como soldado, quer como funcionário [...]. Acuso os governantes de terem abusado da minha obediência, que era exigida naqueles tempos, como também será exigida no futuro a qualquer subordinado [...]. A obediência encontra-se entre os virtuosos [...] eu sou uma vítima. Pretende-se alegar que eu devia ter desobedecido [...]. Naquelas circunstâncias uma atitude destas era impossível, ninguém tinha a coragem de se comportar desta maneira [...]. Tive de me curvar a valores que eram ditados pelo Estado, contrários àqueles que eu queria servir. Tenho de suportar o que o destino me reserva.”
Hannah Arendt, Eichmann em Jerusalém – Uma reportagem sobre a banalidade do mal, Tenacitas, Coimbra, 2003, pp. 15-19.


 É aceitável a “banalidade do mal” sem limites?

Qual o dever do indivíduo perante a sua consciência?

Quais os limites da obediência?

Qual a importância de ter coragem para dizer “não”, quando todos dizem “sim”? Qual o papel do indivíduo na sociedade onde está inserido?




O bem supremo da consciência

A minha condenação por mim mesmo é mais enérgica e inflexível que a feita por juízes [...] a pressão exercida pela minha consciência é mais forte e severa. [...] Se a ação não refletir de algum modo o esplendor da liberdade, não tem nada de meritório ou de honroso.

Montaigne, Ensaios – Antologia (1580), Relógio D’Água, Lisboa, 2016, p. 248.

 O valor da consciência moral e do “esplendor da liberdade”, são convocados para os nossos dias…



O genocídio que ocorreu nos campos de concentração e de extermínio correspondeu à negação dos direitos humanos em nome de causas ideológicas.
Aqueles que cometeram estas atrocidades rejeitaram os valores essenciais da vida humana e do respeito pelo Outro.
A formação de um juízo crítico, responsável e consciente é essencial na construção de uma sociedade tolerante, moderada e aberta à diferença.
Às gerações mais novas cabe manter vivo este legado, em que o passado deve servir apenas como lição histórica para que atrocidades como estas não se voltem a repetir.



A permanência do desrespeito pelos valores humanos



A propósito do Dia Mundial das Vítimas do Holocausto, que hoje se assinala, Esther Mucznik adiantou que esses sinais são visíveis por exemplo nos recentes atentados terroristas contra o semanário satírico francês Charlie Hebdo ou contra um supermercado judaico, em Paris:


Apesar do contexto histórico ser completamente diferente […] a verdade é que há elementos comuns. Por exemplo, no facto de pessoas se arrogarem o direito de decidir quem deve partilhar o planeta em que todos vivemos seja em nome do nacionalismo, seja em nome de Deus, seja em nome da religião”, disse a vice-presidente da comunidade judaica de Lisboa. “É um fenómeno que agora aconteceu em Paris, mas que tem acontecido ao longo das décadas e foi levado a um extremo no século XX com o Holocausto”, acrescentou. “Na verdade, continuam a existir grupos humanos que consideram que têm o direito de tirar a vida a outros por diferentes razões”, sublinhou a presidente da associação Memoshoa, que promove em Portugal o Dia de Memória do Holocausto. [...]


ALGUNS DOS GENOCÍDIOS NO SÉCULO XX

Genocídios no Império Otomano (1914–23)

Genocídio soviético (1932–33) e na Polónia (1937–45)

        Holocausto e genocídio - Solução Final (1941–44)

       Genocídio no Bangladesh (1971)

       Genocídios no Burundi (1972 e 1993)

       Genocídio em Timor Leste (1974–99)

       Genocídio no Camboja (1975–79)

       Genocídio na ex-Jugoslávia: na Bósnia (1992–95) e em Srebrenica (1995)

      Genocídio no Ruanda (1994).



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