segunda-feira, 2 de maio de 2016

A CONDIÇÃO OPERÁRIA E AS DOUTRINAS SOCIALISTAS


Os operários começaram desde cedo a associarem-se para mútua defesa e para reclamarem melhores condições. Na Inglaterra o movimento luddita (Ned Ludd) lutava contra a exploração destruindo máquinas e assaltando as casas dos industriais. Greves e revoltas deram-se também por toda a Europa mas faltava uma organização e unidade que desse sentido a tais reivindicações. 
Surgiram assim as mutuas ou associações de socorros mútuos semelhantes às confrarias medievais que apoiavam os desenraizados e os socorriam em caso de desgraça ou desemprego. 
Tais associações evoluiram no sentido da politização criando-se também os sindicatos. Vivendo das quotizações, apoiavam os associados e organizavam as suas iniciativas dando mais organização e força às suas acções reivindicativas. Os sindicatos são associações de trabalhadores para defesa dos seus interesses profissionais.

A partir de 1870 o sindicalismo ganhou força em países muito industrializados como a Inglaterra, os EUA, a Alemanha e a França. Manifestações e greves tornaram-se frequentes nos períodos de crise e de dificuldades.
As reivindicações mais frequentes foram o dia de trabalho de 8 horas, a luta por melhores condições de trabalho e melhores salários.

As condições de miséria em que viviam os proletários despertaram a vontade de intervenção social de pensadores da época. No século XIX, a doutrina socialista emergente criticava a desumanidade do sistema capitalista e propunha uma sociedade mais igualitária. Contudo, podemos distinguir duas abordagens diferentes do socialismo:
  • socialismo utópico - que propunha alternativas ao capitalismo com o objectivo de criar uma sociedade mais justa. A sua principal referência é Pierre-Joseph Proudhon, que defendia que os operários "trabalhassem uns para os outros" em vez de trabalharem para um patrão. Entregando a propriedade privada a produtores associados e abolindo o Estado pôr-se-ia fim à "exploração do homem pelo homem". 
Proudhon
Proudhon
  • marxismo (ou socialismo científico) - o filósofo alemão Karl Marx analisou historicamente os modos de produção, tendo concluído que a luta de classes é um fio condutor que atravessa todas as épocas. Baseado neste pressuposto, expôs um plano de acção para atingir uma sociedade sem classes e sem Estado: o comunismo
Marx
Karl Marx e o seu amigo Friedrich Engels expuseram no Manifesto do Partido Comunista (1848), uma proposta de explicação do processo histórico que tomou o nome de marxismo ou materialismo histórico:

  • a luta de classes entre "opressores e oprimidos" é um traço fundamental de toda a História;
  • a sociedade burguesa, dividida entre a burguesia e o proletariado, será destruída quando este, "organizado em classe dominante" instaurar a ditadura do proletariado;
  • depois de conquistar o poder político, o proletariado retirará o capital à burguesia e o capitalismo será destruído pois estarão "todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado" - assim se construirá o comunismo;
  • os operários devem unir-se internacionalmente para fazer a revolução comunista, por isso o Manifesto institui o lema "Proletários de todos os países, uni-vos".

Capa do Manifesto Comunista  (edição inglesa)
Marx e Engels viveram uma parte da sua vida na Inglaterra do século XIX, tendo contactado com a miséria da condição operária. A teorização marxista revestiu um carácter prático que faltava ao socialismo de Proudhon e teve um impacto visível na sociedade do seu tempo:
  • de acordo com a ideia do internacionalismo operário, Karl Marx redigiu os estatutos da I Internacional (Associação Internacional de Trabalhadores), criada em Londres (1864);
  • Marx deu o seu apoio à Comuna de Paris, de 1871 (o primeiro governo operário da História);
  • Engels foi um dos fundadores da II Internacional, criada em Paris (1889);
  • a realização das Internacionais Operárias promoveu a fundação de partidos socialistas na Europa.


Apesar de ter chocado ideologicamente com outras propostas de remodelação da sociedade (nomeadamente o proudhonismo, o anarquismo e o revisionismo) as quais viriam a contribuir para o fim das duas Internacionais, a doutrina marxista prevaleceu viva e serviria de base teórica à revolução de 1917, na Rússia.

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